Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pais ajudam no aprendizado


Escola cria cartilha enfatizando a importância da participação dos familiares na rotina dos estudos

Estabelecer uma rotina de estudos e oferecer local adequado. Essas são duas das principais responsabilidades dos pais, Quando o assunto é tarefa de casa (ou o dever de casa) repassada pelas escolas. Mesmo com uma rotina cada vez mais apertada, o ideal é que os pais encontrem um tempo para acompanhar e estimular o aluno.
                A pedagoga do serviço de Orientação Educação do Colégio Marista Rosário, na Capital, Mariana Areta, ressalta que a presença dos pais é fundamental e muito importante para reforçar o valor do estudo. Mariana trabalhou na elaboração de uma cartilha destinada aos pais, com orientações sobre as tarefas de casa. A ideia é que o material dê suporte como se comportar de maneira a ajudar a potencializar os estudos dos filhos.
                “A cartilha surgiu de uma situação que começamos a observar em relação às dúvidas que alguns pais apresentavam quando os filhos ingressavam no colégio; e também a partir de um pouco de desvalorização dessas atividades”, explica a orientadora. Entre os questionamentos estavam a necessidade de os pais permanecerem junto aos filhos durante o tema; e o quanto se ajuda ou prejudica.
                Com a chegada da filha Giorgia ao 1º ano do Ensino Fundamental, essas dúvidas passaram a estar mais presentes para a empresária Graciela Scartom. “A angústia era de como ajudar sem prejudicar”, confessa a mãe. Assim, foi estabelecida uma rotina, que permitisse à filha ter um espaço de estudo, e houve a participação na rotina escolar. Para Graciela, essa foi uma maneira de também ampliar os laços com a filha. “Os pais acabam ficando apenas cumprindo a obrigação de levar e buscar no colégio. Por isso, passamos também a acompanhar e a valorizar os avanços que ela tem, estimulando ainda mais a importância do Ensino”, revelou.
                A pedagoga diz que a ideia básica é que os filhos tenham um suporte de apoio. “a tarefa de casa de ver valorizada e estimulada pelos pais, porque representa a continuidade do Ensino.” Além disso, Mariana lembra que é preciso ter cuidado no momento de ajudar, para não realizar a atividade pela criança.
                A tarefa de casa desempenha ainda papel importante na formação do estudante, uma vez que representa a continuidade do assunto, o reforço do que foi ensinado e também é capaz de revelar algumas dificuldades no entendimento para a especialista, “Essa atividade é uma maneira de permitir a troca de ideias, de apresentação dos conteúdos e serve ainda de base para a avaliação do desempenho e do aprendizado do aluno sobre o que está sendo ensinado em aula”, Resume. 

Fonte: Correio do Povo, 27 de maio e 2012.
Página: 11

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Geografia



A prova de Geografia pode variar bastante dependendo da universidade e do ano do vestibular. Em alguns anos muitos detalhes são perdidos; em outros, mais um conhecimento geral. Ao estudar Geografia, trabalhe diretamente com um Atlas Geográfico competente, desenhe mapas e use linhas do tempo. Tente ligar ao máximo os conteúdos sobre meio-ambiente e cobertura vegetal com a matéria de biologia. Não se esqueça de dar destaque à Geografia Humana, os movimentos populacionais (Incluindo os da História do Brasil) e as pirâmides etárias, que são questões recorrentes.
                Importantíssimo: Leia os jornais, Não precisa ler tudo ou demorar horas a cada dia. Apenas pegue o jornal, olhe as manchetes sobre o que está acontecendo no mundo. Preste a atenção nos assuntos mais discutidos. Faça isso reservando 15 minutos no início do dia para ler o jornal. Esta sugestão serve também para História.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 78.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Física



A prova de física não possui muitos mistérios: é fácil identificar sobre o que cada questão trata e um pouco de raciocínio é suficiente para eliminar algumas respostas. Porém, é importante conhecer bem a matéria e as fórmulas. O bom, no caso, da Física, é que as algumas fórmulas são intuitivas e já contêm parte do que é preciso saber da matéria. Por exemplo: que a velocidade é a variação do deslocamento dividida pelo tempo ou que a aceleração é a variação da velocidade em determinado tempo, isso é intuitivo.
                Assim, estude com as fórmulas e faça exercícios. Se você souber as fórmulas e o que cada símbolo delas significa, são grandes as chances de um bom desempenho. Eu sugiro que todas as fórmulas sejam decoradas, de modo que você possa, logo que a sineta tocar no dia do vestibular, escrevê-las todas na capa da prova de física, como uma garantia de que você terá todas para trabalhar com calma no tempo que resta.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 76, 77.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Matemática


  
   Esta matéria é bastante temida por grande parte dos candidatos. O motivo é evidente: nas questões de matemática, é exigido mais do que a aplicação das formulas de cada conteúdo; quem as elabora procura trabalhar com o raciocínio matemático do candidato. Muitas vezes não conseguimos nem mesmo identificar sobre o que a questão trata – “Este é um problema de progressão Geométrica, Geometria plana ou Análise Combinatória?”.
     Para superar este desafio, o primeiro passo é conhecer as matérias e as formulas. Se conseguir, decore as fórmulas até que você consiga escrevê-las com os olhos fechados. Treine desenhar as figuras da geometria e se familiarize com os gráficos. Mas, principalmente, faça os exercícios. Porém, se você quer obter um desempenho bom na prova de matemática, você não deve apenas fazer os exercícios, mas também desenvolver a habilidade de identificar o propósito de cada questão. O melhor modo de adquirir esta habilidade é fazendo as provas do vestibular dos anos anteriores, onde as matérias aparecem misturadas. Não adianta fazer 15 exercícios “sobre Trigonometria”, um seguido do outro, porque já se sabe da antemão as fórmulas e mais ou menos o que será exigido. É importante tentar resolver os exercícios sem saber de que matéria eles são.
     Outro modo de tentar adquirir um raciocínio matemático é tentando explicar as matérias ou os passos para resolver as questões por escrito. Isso pode parecer impossível, mas não é. Tente elaborar uma lista de procedimentos, para resolver questões envolvendo triângulos, e procure explicar com suas palavras qual a diferença entre Arranjo e Combinação Simples quando estudar análise combinatória. Faça, você mesmo, gráficos e tabelas. Procure as diferenças conceituais entre Progressão aritmética e Geométrica. Tente escrever estas distinções e preste mais a atenção nos textos dos livros de matemática do que nas fórmulas.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 76.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Português


    
     O Conteúdo que compões a matéria de Português é vasto e cheio de casos especiais. Mesmo que todos falantes de português sejam capazes de fazer alguma pontuação mínima nesta prova, não se engane: saber interpretar os textos e conhecer a grande quantidade de regras e particularidades de nossa língua requer muito estudo. Lembre-se de que em alguns vestibulares as provas de português e redação compões juntas o escore de Língua Portuguesa, de modo que os acertos em uma prova compensam os erros na outra. Assim, atingir uma boa pontuação na prova de português pode nos livrar de desagradáveis surpresas da nota da redação.
     As regras gramaticais não são como as leis físicas ou como as formulas matemáticas: elas admitem exceções. Em alguns casos são tantas que não é possível nem mesmo formular uma regra. Desta forma, se você for estudar somente as regras isso não será garantia de bom desempenho. O que você precisa saber são as exceções. São exatamente elas que caem nas provas, já que são a medida do conhecimento culto de nossa língua. Estude-as e você estará estudando exceções. Se for possível, ame as exceções. Em suma, não estude como se as regras fossem o total da gramática: nos casos especiais estará a solidez do seu estudo.
     No dia da prova, quando for fazer a de Português, leia as questões referentes aos textos antes dos textos. Assim, logo na primeira leitura você já terá uma ideia de como preencher as lacunas do texto e já poderá sublinhar partes que se referem as questões.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 75.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dica de Vestibular: REDAÇÃO



     Começo pela redação porque ela é realmente um caso à parte e tem sempre um grande peso no resultado final. O aluno deve ser não somente disciplinado e criativo, mas também deve controlar o tempo. Você deve ser capaz de acabá-la em 2 horas no máximo.
     No dia da prova de Português e redação, comece lendo o tema da Redação, depois dê aquela passada de olhos na prova de português antes de fazer o rascunho. Antes ainda de começar a escrever, faça um esquema do seu texto: título, introdução, desenvolvimento e a conclusão. A redação deverá ser uma dissertação, isto é, a defesa de um ponto de vista de uma opinião sobre o tema proposto. Esta “defesa” pode conter uma breve narrativa ou experiência pessoal como parte do argumento, mas não é uma mera narrativa, não é uma história. Você deve encontrar motivos, fatos e justificativas que permitem sustentar seu ponto de vista, o que formará o chamado “desenvolvimento”. A sua opinião estará sintetizada no título, citanda na introdução e explicada conclusão.
     A extensão do texto a ser elaborado é limitada por um numero máximo e mínimo de linhas. Um texto mais curto pode conter menos erros gramaticais, mas poderá pecar na exposição das ideias. Um texto mais lingo pode ajudar a expor seu ponto de vista, mas leva a uma maior chance de erros gramaticais. Então, vamos pensar em fazer uma redação de 40 linhas. Sugiro que a dissertação tenha quatro parágrafos: Introdução, você sintetiza o tema proposto, cita os argumentos que serão expostos nos desenvolvimentos 1 e 2 e adianta em linhas gerais, a conclusão: isso em 6 ou 8 linhas. No Desenvolvimento 1 você expõe um primeiro ponto de vista a respeito do tema, explica tal opinião e adiciona um exemplo, tudo isso em 10 ou 12 linhas. No Desenvolvimento 2, rebata ou torne mais consistente a explicação dada anteriormente, com argumentos contrários ou mais profundos, utilizando-se de algum exemplo relacionado à história mundial ou à atualidade (por isso estudar História e Geografia ajuda muito na redação): use mais umas 12 ou 13 linhas. Na conclusão relacione os argumentos apresentados nos desenvolvimentos, extraindo uma moral, uma tese, uma opinião que supere os exemplos, apontando soluções possíveis ou qual é o melhor argumento, isso dentro de 8 a 10 linhas. O importante é você tentar realmente defender um ponto de vista, dizer o que pensa e encontrar razões que sustentem suas opiniões.
     Só há uma forma de estudar redação: praticando. Reserve um horário de 2 horas cada quinze dias para fazer uma redação. Você precisará de alguém para corrigi-las, seja professor do colégio, do cursinho, ou um professor particular. Além disso, são interessantes aqueles livros sobre “Redação no vestibular”. Sugeri alguns no Apêndice 6. Outra coisa que pode ajudar na redação. é estar bastante familiarizado com os chamados “conetivos”: assim, logo, portanto, desta forma, desta maneira, consequentemente, além disso, além do mais, em primeiro lugar, primeiramente, por isso, no entanto, contudo, todavia, entretando, na medida em que, à medida que, em suma, finalmente, etc. Estes conetivos darão fluidez e elegância ao seu texto, além de ajuda-lo a expor seus argumentos com clareza máxima. 

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 73,74.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como conciliar a vida adulta com os estudos?

Especialista fala como incluir o hábito de estudar em meio a tantas obrigações familiares e profissionais.Conquistar uma vaga pública, fazer um curso superior ou atualizar o currículo profissional. Esses são alguns dos motivos que levam milhares de pessoas de volta à rotina de estudos. 

Para o psicólogo especialista em ciências cognitivas, Fernando Elias José, é possível conciliar esta tarefa em meio à rotina de obrigações, desde que a pessoa esteja disposta a se dedicar. 

“O que eu recomendo é que os estudantes estejam por “inteiro” em cada momento em que estiverem vivendo, ou seja, quando estiverem estudando prestem atenção no estudo e quando estiverem com a família ou no trabalho vivam esse momento.” fala o especialista. Para quem se identifica com essa situação, a dica do profissional é manter a disciplina e a organização.

“A frequência do estudo deve ser feita a partir de um planejamento que deverá ser realizado com metas reais e palpáveis.  Se a pessoa se organizar em estudar uma hora por dia, por exemplo, deverá fazer isso todos os dias, pois dessa maneira estará educando seu cérebro para essa rotina de estudos.” fala Fernando.

Não se apegue ao “se”
Ao assumir uma rotina de estudos junto ao dia a dia atribulado, é comum que o sentimento de culpa apareça quando, às vezes, o que foi proposto não é cumprido. Neste momento, a pessoa pode começar a desenvolver pensamentos que criam verdadeiros empecilhos na hora do estudo.São pensamentos como: “Ah, se eu tivesse mais tempo”, “Ah, se eu não tivesse que trabalhar!”, entre outras situações para justificar aquilo que deveria ter sido feito.

Em casos como estes, o Dr. Fernando recomenda a troca de pensamentos destrutivos por pensamentos mais saudáveis, que possam trazer solução e resultados positivos ao estudante. “Ao perceber este erro, o estudante deve sair do papel de vítima e assumir a postura de responsável por seus atos, se propondo a resolver a situação com um novo plano de estudos e organização.” comenta o especialista.

Fernando Elias José é psicólogo, mestre em Cognição Humana na PUCRS, especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pela WP Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, com Curso de Extensão em Psicoterapia Cognitiva na UFRGS. Ministra palestras e é membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas. Há doze anos dedica-se à pesquisa em Ciências Cognitivas e vem trabalhando com preparação para provas e concursos. Realiza também atividades como consultor comportamental em empresas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sem tempo para brincar?

Muitos pais exageram na dose e criam agenda de adultos para suas crianças.

Com a correria cotidiana, parece ser pecado destinar parte do dia à ociosidade, mesmo quando ainda se é criança. Nesse caso, a escolha por ocupar quase todos os minutos que seriam livres geralmente é dos pais e nem sempre é levada em consideração a opinião dos pequenos. Agora, qual será a medida certa para inserir tarefas extracurriculares na agenda deles?

A dica da educadora Maria Cecília Rodrigues de Oliveira, editora do Agora Sistema de Ensino e do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva, é os pais estarem sempre atentos para conseguirem identificar quando os filhos estão sobrecarregados.
“Cada criança reage de uma forma. Daí a importância de os pais conhecerem bem o comportamento de seus filhos para que possam estabelecer um parâmetro entre antes do início das tarefas extracurriculares e depois. Sugiro a eles observarem a ocorrência de mudanças bruscas de comportamento da criança, como sinais de insônia, inapetência, cansaço, desatenção excessiva, irritabilidade, agressividade, choro sem explicação aparente e apatia”, afirma.

É normal que os pais tenham dúvidas sobre qual é a melhor maneira de preparar as crianças para o mundo adulto, mas a especialista ressalta que é importante eles refletirem bem antes de sair matriculando os pequenos nas mais diversas atividades. 

“O mais importante é que a decisão de frequentar um curso extra esteja pautada no desejo genuíno da criança, mesmo que os pais considerem que ela não apresenta grandes habilidades para aquilo. E, na medida do possível, viabilizar o acesso dos filhos a diferentes oportunidades para eles fazerem suas próprias escolhas”, destaca a editora.

No entanto, nem sempre uma criança tem clareza do que lhe está sendo proporcionado e qual o significado disso em sua vida; então, argumentar a favor da continuidade de algo que não lhe é prazeroso parece fadado ao fracasso. 

E a professora aconselha os pais a acompanhar o desempenho dos filhos nessas aulas, buscando informações sobre o comportamento e os relacionamentos deles nesses locais. 

“Se os adultos perceberem que não há interesse por parte da criança em fazer determinada atividade, repensem sobre quão madura emocionalmente ela está para assumir novas responsabilidades. Às vezes, é melhor adiar um pouco”, explica Maria Cecília.

 Como é por meio do “brincar” que a criança aprende pouco a pouco quem é ela e o outro e quais são as dimensões do próprio corpo e suas possibilidades e limitações, os adultos devem estar atentos para não tirar o espaço para as brincadeiras do dia a dia dos filhos.

 “É brincando que uma criança exercita diferentes papéis, aprende a elaborar hipóteses e a lidar com as fantasias. A brincadeira possibilita à criança vivenciar um mundo mágico e criativo que lhe abre portas para usufruir a realidade de modo saudável, seja na interação com outras pessoas como no prazer que encontra nas atividades que realiza”, finaliza.

O Agora e o Ético, os dois sistemas de ensino da Editora Saraiva, respeitam o direito de brincar da criança ao proporem atividades lúdicas como situações de aprendizagem. Com conteúdos significativos e múltiplas linguagens, os materiais buscam contribuir com o educador ao oferecerem possibilidades didáticas de aproximação entre o dia a dia e o contexto escolar. 

Os dois sistemas disponibilizam completa linha de materiais didáticos, da educação infantil ao pré-vestibular, além de um conjunto de soluções educacionais integradas. Isso inclui portal para alunos e educadores, cursos presenciais e a distância para professores e gestores municipais, análise de desempenho escolar e ampla assessoria pedagógica.

Fonte: Planeta Educação

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sala de aula sem professor

Esther Pillar Grossi*



Inimigos de Classe é o nome da forte peça de teatro com a qual Luciano Alabarse brinda Porto Alegre neste momento. Esteve em cartaz no Theatro São Pedro e voltará a ser apresentada a partir do próximo dia 30, durante quatro semanas, no Centro Municipal de Cultura. 

Um, dentre muitos aspectos que Inimigos de Classe suscita em quem vivencia a realidade de algumas escolas públicas,são faltas frequentes de professores. 

Assisti a Inimigos de Classe há dias e não consegui escrever imediatamente a respeito do que me ocorreu sentir e pensar durante o espetáculo impactante. Um pouco do que senti e pensei transcrevo a seguir, provocada pela eloquência de uma boa obra de arte. 

Todo santo dia mergulhada que estou na trama escolar de escolas públicas pelo Brasil afora, na Colômbia e em Cabo Verde, apalpei a atualidade estarrecedora de Inimigos de Classe, escrita em 1935, na Inglaterra. 

A falta de professores nas salas de aula é uma realidade tão corriqueira em escolas públicas, que faz com que a gente ouça e sinta a tragédia dos alunos de Inimigos de Classe, à espera de um professor que não vem,como pungentemente familiar. 

Autora diz que professores faltam às aulas porque não têm prazer de ensinar. Você concorda?

Pasmem, em uma "boa" escola pública de Porto Alegre, cuja média dos salários dos seus 70 professores é R$ 5 mil, a cada dia, há anos, acontece em média ausência de oito deles. Estas ausências obrigam diariamente a uma adaptação do horário de cada turma e naturalmente um viés assassino nos planejamentos já preparados para tentar levar os alunos a se apropriarem das riquezas do patrimônio cultural e científico que nos legaram nossos antepassados, razão específica da existência das escolas. 

Dentre as muitas experiências de alunos sem professora, uma me marcou quando reuni, depois de um curso de matemática, um grupo de professores desejosos de continuar estudando essa apaixonante disciplina científica. Fizemos um planejamento em torno de um campo conceitual superinteressante, que é o sistema de numeração. Dispusemos material multibase para todos os participantes e, passadas seis semanas, nenhuma das 10 professoras, cada uma de uma escola diferente, executou o planejamento devido à falta de colegas professores. Não havia possibilidade de executar seus planejamentos didáticos previstos para uma só turma em outra com o dobro de alunos. Juntar duas turmas é uma das alternativas para tapar o buraco de uma professora faltante. 

E por que há professores que faltam tanto? Por um lado, por irresponsabilidade deles. Mas, fundamentalmente, o que desmotiva um professor é ensinar pouco e não curtir as imensas alegrias de quem faz aceder ao conhecimento uma turma de alunos. 

Mas, por que ensinam pouco? Porque utilizam metodologia ineficaz, calcada em explicações que embrutecem. Embrutecem porque seguem a lógica dos conhecimentos a ensinar, e não a lógica na qual os alunos aprendem. Para que isso mude, é necessário que a formação dos professores seja outra, mas principalmente que esta nova formação inclua a força prodigiosa do desejo de ensinar de professores com a qual, associada a muitos e sólidos conhecimentos científicos, vá realizar o que Freud caracteriza como atividades profissionais impossíveis: curar, educar e governar. Impossível para Freud é aquilo que só é conseguido com as energias próprias do desejo, capazes de inventar diante dos impasses surpreendentes que os impossíveis contemplam.

*Doutora em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Paris

quarta-feira, 21 de março de 2012

Projeto Autonomia, aprendendo a aprender

Terça-feira foi marcada pela realização de oficinas 
O Projeto Autonomia teve início no Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat) na segunda-feira, 12, com palestra para pais e alunos. No turno da manhã, as turmas de 8ª série do Ensino Fundamental (EF) e Ensino Médio assistiram à apresentação musicada "O Estudo em nossas vidas", com argumentação do professor Fábio Mendes e músicas de Rafael Korman. De acordo com Mendes, estudar é como escovar os dentes. "A gente não nasce sabendo, mas cria o hábito e, quando não escovamos, acabamos sentindo falta", exemplificou. Ele ainda diferenciou o estudar do revisar um conteúdo e deu dicas de como criar condições adequadas de estudo, com objetivos bem definidos, material didático, horários estabelecidos e local específico.

À noite, foi a vez dos pais das Séries Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio descobrirem como se dá o hábito de aprendizagem, com a palestra "Estudos, Limites e Autonomia". Na abertura do evento, o professor Fábio questionou a plateia sobre os desafios enfrentados pelos filhos no estudo em casa. O professor apresentou a definição de autonomia, explicando aos pais que seus filhos devem ter opções de escolha dentro de determinados limites também no estudo. "Para quem ainda não tem esse hábito, podemos começar com duas sessões de estudos semanais, de uma hora cada, com horários escolhidos pelos próprios alunos", afirmou. O professor também sugeriu alternativas de como os pais podem acompanhar o rendimento dos filhos.

Segundo Orilde Heineck, mãe de aluno, ela já tinha conhecimento de alguns assuntos abordados no evento, mas "é sempre bom relembrar, pois muitos dados acabam ficando adormecidos". "Achei ótima a definição de limites moderados", acrescentou. Por parte dos alunos, Fernanda Isse, da turma 17B, gostou das dicas e acredita que elas podem ajudar no rendimento escolar. "Achei interessante saber que qualquer barulhinho pode nos atrapalhar e a importância dos locais de estudos", resumiu Fernanda. Além das palestras, os alunos da 5ª série do EF ao Ensino Médio também participam, ao longo da semana, de oficinas de Métodos de Estudo e Programação de Horários.



Confira também o depoimento da aluna Huda AQUI!

Fonte: CEAT

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Novo serviço reúne pessoas para compartilhar conhecimento

“Todo mundo quer aprender alguma coisa. E todo mundo tem algum conhecimento que gostaria de ensinar.”
Foi a partir dessa premissa que os amigos Daniel de Barros, Mauro Rego e  Leonardo Correa criaram a plataforma de crowdlearning Nós.vc. Eles acreditam que o aprendizado não deve se restringir a fases da vida ou a instituições.
Crowd é multidão. Learning é aprendizagem. E crowdlearning é um modelo em que pessoas apaixonadas pelos mesmos assuntos aprendem e ensinam lado a lado. O Nós.vc é a primeira iniciativa brasileira neste segmento e acabou de ser lançada. A plataforma permite que pessoas possam aprender e ensinar uns com os outros de maneira colaborativa.
Como funciona
1 – Qualquer um pode criar uma oficina, curso, workshop ou debate e ensinar qualquer coisa que seja. O líder é quem propõe, lidera um encontro e inspira os participantes.
A equipe do Nós.vc é responsável por providenciar materiais, espaço físico, transporte do líder, alimentação, sistema de pagamento e o que for necessário para a realização do encontro.
2 – O próximo passo é colocar a proposta em votação e o público pode sugerir como melhorar a ideia para tornar o encontro real.
3 – Com todas as informações sobre o encontro confirmadas, os participantes podem fazer as inscrições através do site.
Há dois tipos de encontro, o primeiro é o “Nós.vc” que é pago e organizado pela equipe da plataforma e pelo líder e o outro é o “Nós.vc Independente”, modalidade que apenas utiliza o serviço e os participantes pagam o quanto quiser.
Para votar
Uma das propostas que estão no ar atualmente é a “Mude o Mundo”. Ela propõe o encontro de diversas pessoas, com diversas formações e idades, para discutir a realidade e os problemas paulistanos e, principalmente, propor soluções concretas. O participante paga o quanto quiser depois do encontro.
Na proposta “Educação Fora dos Moldes”, o líder Rafael Arrivabene quer discutir ideias e opiniões sobre educação, modelos diferentes que já existem ou mesmo novos modelos, inovadores. A dinâmica principal será a participação dos encontristas, compartilhando de suas experiências ou opiniões sobre o assunto, promovendo um brainstorm sobre possíveis rumos para a Educação.
A design Erica Ribeiro quer provar que “Nada se inventa, tudo se copia”. Para isso, ela propõe debater formas de criação que têm a cópia como base. A ideia é fazer projetos com o objetivo de compartilhá-los, conhecendo o creative commons e as iniciativas de cultura livre.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O conhecimento na ponta dos dedos

Na quarta-feira, 4 de janeiro, comemorou-se o Dia Mundial do Braile, em homenagem ao francês Louis Braille, nascido nesse dia no ano de 1809.

Para não se confundir o nome do sistema com o sobrenome do seu criador, convencionou-se grafar o primeiro com apenas um “l”, o que, nos dias de hoje, com tantos sinais e abreviações espalhados pelas redes sociais, pode parecer um preciosismo.

De volta a Braille, o educador, sabe-se que ele perdeu a visão aos três anos e, quatro anos depois, entrou para o Instituto de Cegos de Paris, no qual se formou professor aos 18 anos, em 1827.

O método criado por ele foi publicado em 1829, embora tenha sido oficialmente adotado tanto na Europa quanto na América somente em 1852, ano de sua morte.

Inclusão social e cidadania

O sistema Braile permite a formação de 63 caracteres diferentes, os quais representam as letras do alfabeto, os números, a simbologia científica, a musicográfica, a fonética e a informática, a partir da combinação de seis pontos dispostos em duas colunas e três linhas. O sistema se adapta perfeitamente à leitura tátil, pois os seis pontos em relevo podem ser percebidos pela parte mais sensível do dedo com apenas um toque.

Braille o teria desenvolvido com base no que ouviu falar de um esquema de pontos e buracos inventado por um oficial para ler mensagens à noite e em lugares sem luz.

Segundo informação da Fundação Dorina Nowill para Cegos, o sistema chegou ao Brasil em 1850, através do jovem cego José Álvares de Azevedo, mas foi praticamente 100 anos depois, na década de 1940, que o Braile foi difundido.

Em 1946, com a criação da Fundação para o Livro do Cego no Brasil (atual Fundação Dorina Nowill para Cegos), a produção de livros em Braile passou a desempenhar importante papel na alfabetização de deficientes visuais e no consequente acesso deles ao conhecimento.

Há quem diga que nos últimos 60 anos não há no Brasil uma só pessoa cega alfabetizada que não tenha tido em suas mãos pelo menos um livro em Braile produzido pela fundação.

Apenas em 2011, foram impressos mais de 270 novos títulos em Braile. Ao todo, mais de 90 mil exemplares já foram distribuídos a cerca de 2.000 organizações e para as 5.000 bibliotecas públicas municipais do país, contribuindo para a inclusão social de 3,5% dos brasileiros (582.624 cegos e 6.056.684 com baixa visão), segundo o Censo 2010.
Capacitação de professores

Para Maria Glicélia Alves, pedagoga da Fundação Dorina Nowill, “a falta de informação é ainda o principal problema em relação ao Braile. Muitos professores acham que é simples ensinar o sistema a um aluno cego, mas a alfabetização tem as suas especificidades e o professor, para realizar essa tarefa com êxito, tem de buscar ajuda”.

“Entre 2000 e 2007, houve um aumento de 100% de alunos com deficiências em salas de aula no ensino fundamental. Nesse período, o número subiu de 221.652 para 463.856, de acordo com o Ministério da Educação. A grande maioria é de estudantes com baixa visão. Alunos com cegueira total aparecem em quinto lugar, depois daqueles que têm outros tipos de deficiência, como a auditiva e física”, relata Maria Glicélia.

Semestralmente, a Fundação Dorina Nowill realiza cursos presenciais de capacitação para professores em sua sede, em São Paulo (SP). O primeiro do ano será “Braile para Educadores – Apoio Essencial em Sala de Aula”, de 16 a 20 de janeiro.

A pedagoga conta que o curso oferece noções básicas do sistema Braile, enquanto técnica de leitura e escrita para acompanhamento e apoio do aluno com deficiência visual na sala de aula.

Ela lembra que a educação inclusiva evoluiu bastante nos últimos anos, mas ainda há muito que fazer. “A especialização do professor que trabalha com alunos deficientes é um desafio. Acima de tudo, a inclusão tem que começar na própria família do deficiente. O desconhecimento das necessidades da criança cega pode, muitas vezes, significar o seu isolamento de um mundo no qual todos têm os mesmos direitos e oportunidades.”

Fonte: UOL Noticias

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mais atenção aos notívagos

O aumento no número de matrículas nos cursos noturnos, acompanhado da alta taxa de evasão, requer a adoção de medidas que garantam uma maior motivação aos alunos e a permanência no curso 

Gérson Trajano
O crescimento dos cursos noturnos, que acompanhou a expansão das instituições de ensino superior desde a década de 1990, é um reflexo do aumento da demanda de estudantes trabalhadores. Manter o interesse dos alunos até o final do curso, no entanto, ainda é um desafio para as instituições, que, especialmente no turno da noite, precisam lançar mão de recursos que favoreçam a motivação dos estudantes para o aprendizado, como o oferecimento de currículo, carga horária e instalações adequados ao período, além de ter professores dinâmicos e motivadores.

Os cursos noturnos das instituições particulares são o universo mais representativo do aumento do ensino superior no Brasil. Estudo do Observatório Universitário, uma organização não governamental que analisa o setor universitário brasileiro, de agosto de 2009, estima que, em média, 70% dos alunos das instituições de ensino superior particular estão matriculados no período noturno.

O documento mostra que, em 1999, 55,7% dos alunos estudavam à noite. Oito anos depois, em 2007, o percentual passou para 61,7%. Enquanto o ensino diurno registrou 821.961 novas matrículas no período, os cursos noturnos registraram cerca do dobro, com 1.688.475 novos alunos.

O crescimento é atribuído aos novos estudantes oriundos majoritariamente das classes C e D, que trabalham durante o dia e por isso buscam a graduação à noite. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2002 e 2009, a proporção de universitários originários dessas classes sociais subiu de 45,3% para 72,4%.

Estrutura adequada
Para atender melhor esses alunos e garantir que eles permaneçam na instituição até a conclusão do curso, é preciso atentar às diferenças no perfil dos estudantes do diurno e noturno. "Normalmente não há uma gestão específica para esses segmentos, o que é uma falha. Isso pode desmotivar o aluno e afastá-lo da escola", diz Humberto Felipe da Silva, consultor educacional da TP&S Consultoria.

De acordo com o consultor, são vários os fatores que podem contribuir para criar um ambiente acolhedor, de conhecimento e que mantenha o interesse do aluno no decorrer do curso. Um deles é a configuração do espaço físico, mais propício para circulação à noite, com estrutura adequada para receber os alunos tanto nas salas de aula quanto nos demais espaços educativos, como bibliotecas, ou setores administrativos do campus. É recomendado adotar uma boa iluminação, limpeza e instalações modernas com quadros de avisos informatizados, por exemplo, que chamam a atenção do aluno, além de possibilitar um diálogo mais direto com ele.

Outro fator essencial está justamente relacionado ao atendimento do estudante. É preciso conhecer o perfil do matriculado, suas aspirações e dificuldades e procurar manter uma comunicação de maneira individualizada com o aluno, a fim de lhe dar suporte para a resolução de eventuais problemas enfrentados, seja no que diz respeito a sua vida acadêmica ou em relação a dificuldades de ordem administrativa e financeira.

Para a professora Lourdes de Fátima Possani, doutora em Educação pela PUC São Paulo e organizadora do livro Reforma Universitária: sinais do Sinaes, um dos pontos mais importantes refere-se ao currículo e a questões pedagógicas. "Precisamos de um currículo diferenciado, que considere a peculiaridade do aluno trabalhador, sem que haja empobrecimento em relação a conteúdos e metodologia de ensino, bem como apoio pedagógico específico nas áreas onde for detectada maior necessidade de acompanhamento", afirma a educadora.

Edson Nunes, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade Candido Mendes, também é favorável a um currículo ajustado. "`Podem-se oferecer disciplinas de educação suplementar, que complementem o conteúdo do curso", aponta Nunes.

Especialistas e educadores concordam que o professor é um dos elos mais importantes no processo de ensino, pois é com ele que o aluno passa a maior parte do tempo na escola. Nesse sentido, uma dica é investir no corpo docente, com a contratação de professores dinâmicos e atentos às necessidades de aprendizado dos alunos.

"O professor deve respeitar e considerar a experiência de vida e de trabalho do estudante, propiciando-lhe articular sua experiência com novos saberes, no sentido de não só receber, mas também construir conhecimento", afirma a professora Lourdes. Além disso, o docente deve se manter atualizado e propor novas abordagens de aprendizado.

Na Universidade Cruzeiro do Sul (UCS) o diferencial também está dentro da sala de aula. A instituição desenvolve o projeto Aprender na Prática, que estimula a relação dentro da classe entre professores e alunos. O método tem como eixo principal o professor, que deve incentivar a participação ativa e crítica do universitário, explorando o seu cotidiano e o aprendizado anterior. A intenção é valorizar o conhecimento do aluno e com isso motivá-lo a continuar no curso. A iniciativa gerou a publicação do livro Aprender na prática: experiências de ensino e aprendizagem, que reúne relatos de atividades dentro e fora da sala de aula, e se tornou uma referência para as ações da universidade.

Apoio complementar
Outro fator que assombra as instituições de ensino superior é o baixo nível de formação dos estudantes que saem do ensino médio. Em 2009, os alunos do 3º ano do ensino médio submetidos ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) somaram menos de 275 pontos na disciplina de matemática e 270 em português, desempenhos considerados inadequados para o período conforme avaliação do Todos Pela Educação. Para a entidade a pontuação mínima que deve ser obtida por esses alunos na escala do Saeb é de 300 pontos em português e 350 em matemática.

Para resolver o problema da baixa escolaridade dos jovens que chegam ao ensino superior, o consultor Humberto Felipe da Silva sugere às instituições implantarem mecanismos de nivelamento. "O nivelamento tem uma influência básica na capacidade de aprendizagem que reflete no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e na competência dos formandos", afirma.

Na opinião de Fernando Soria, diretor de Negócios da Faculdade Sumaré, o curso superior noturno deve ser pensado levando em consideração o perfil educacional do estudante, que em sua maioria vem das escolas públicas. A instituição aplica, logo no primeiro semestre da graduação, testes de conhecimentos de matemática, língua portuguesa e informática, e a partir do resultado, traça uma estratégia para que o aluno evolua, sinta-se prestigiado e acompanhe as disciplinas do currículo.

Outro diferencial adotado pela Sumaré para os alunos do período da noite é ter uma grade de horários de entrada e de permanência nas aulas mais flexível nas sextas-feiras, além de incluir uma opção aos sábados pela manhã.

8 dicas que fazem com que estudar à noite seja mais agradável
  • Ambiente adequado para circulação à noite, bem sinalizado e com boa iluminação
  • Salas de aula confortáveis e demais espaços de convivência modernos e agradáveis
  • Adotar quadros de avisos informatizados e dinâmicos
  • Setor de acompanhamento e atendimento ao aluno individualizado
  • Carga horária adequada às necessidades do aluno trabalhador
  • Apostar em metodologias de ensino inovadoras
  • Oferecer disciplinas de complementação de conteúdo
  • Ter professores dinâmicos e atentos às necessidades de aprendizado

O aluno do período
Os estudantes do noturno são geralmente pessoas de classe média baixa ou classe baixa. Alguns são os primeiros representantes da família a ingressar em um curso superior. Segundo o último Censo da Educação Superior, em 2009, mais de 55% dos alunos eram mulheres. São jovens que trabalham, alguns já constituíram famílias, e dedicam pouco tempo à leitura. Em média, dormem de 5 a 6 horas por dia e estudam 3 horas por semana. Um parcela significativa mora longe da escola e o transporte, juntamente com a mensalidade, tornam-se o item de maior peso no orçamento. Ainda de acordo com o Censo, três de cada dez alunos matriculados em instituições particulares obtiveram bolsa de estudo. Entre o total de bolsistas, 1.019.532 (82,5%) são de programas reembolsáveis e 215.777 (17,5%) de não reembolsáveis.
Fonte: Revistaensinosuperior UOL

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O nó sem fio

Encontro internacional mostra presença cada vez maior do universo virtual na educação, mas ainda sem apontar um caminho de superação pedagógica

Rubem Barros



Os símbolos da contemporaneidade estão todos presentes. Do cenário moderno e grandioso - o pavilhão seis da Feira de Madri, parte de um complexo de 14 unidades que abriga eventos os mais variados - aos cerca de 1,5 mil participantes do encontro, em sua imensa maioria munidos de tablets, laptops, smartphones e tudo mais que os faça estar permanentemente conectados à internet. No palco, a apresentadora reforça com palavras e gestos elegantes a importância da tecnologia, enaltecendo o que batiza de "atitude 2.0", mote do VI Encontro Internacional EducaRed 2011, da Fundação Telefônica, cuja etapa presencial, ocorrida entre os dias 20 e 22 de setembro na capital espanhola, foi o desfecho de três meses de debates e discussões que o antecederam no plano virtual. A "atitude 2.0" está vinculada aos ideais de compartilhamento do conhecimento, interatividade e valorização da experiência e de relações mais horizontais, princípios que seriam os pilares de uma repaginação da educação. Ancorados, por supuesto, na tecnologia.


E, ao longo dos três dias, não faltaram exemplos de usos de aparatos e recursos tecnológicos em contextos educativos. Realidade aumentada, geolocalização com GPS, jogos virtuais, plataformas colaborativas, entre muitos outros. Uns com bons resultados pedagógicos, outros ainda muito incipientes para qualquer tipo de conclusão.

Mas, nas sessões em que se aprofundaram os debates dos problemas educacionais, a tecnologia ficou longe  de ser vista como tábua de salvação da educação, até mesmo pelos seus defensores mais entusiastas. A começar por algumas das constatações aferidas pelo informe Las TIC en la Educación - Realidad y expectativas (As TICs na Educação - Realidade e expectativas), que ouviu 1.304 professores de escolas públicas e privadas das 17 comunidades autônomas espanholas. A pesquisa, levada a cabo pela Fundação Telefônica, apontou que a rejeição dos docentes às novas tecnologias diminuiu sensivelmente, que seu uso em tarefas administrativas é muito bem visto, mas mostra, também, que não houve mudanças significativas nas práticas pedagógicas, que estas estão desconectadas das necessidades do alunado e que os professores não estão convencidos da utilidade pedagógica das TICs.

O jeito de sempre
Albert Sangrà, diretor do ELearn Center da Universidade Aberta da Catalunha (UAC), acredita que a tecnologia tem sido usada para fazer mais do mesmo, "dar as mesmas aulas expositivas de antes". Para reverter essas práticas, acredita que a saída é formar os professores para o uso da tecnologia, não sem antes questionar para quê formá-los. "Devemos formar professores para atuar em espaços expandidos de aprendizagem, capazes de criar e gerir novas ecologias de aprendizagem, promover a geração conjunta do conhecimento."
O comportamento apegado às velhas práticas pedagógicas - apontam tanto a pesquisa apresentada no evento quanto a intervenção de vários dos docentes nos debates - estaria vinculado ao currículo obrigatório. Na rodada de debates batizada "Currículo por conteúdos ou por inteligências", enquanto um docente pedia o microfone para decretar que "o currículo não serve para nada", outro vaticinava via Twitter: "o currículo é a desculpa para não inovar". Poucos minutos antes, o chefe de cozinha Ferran Adrià, na conferência inaugural do encontro, sintetizava seu olhar sobre a questão, ao responder à pergunta que ele mesmo fizera (Pode-se ensinar a criatividade?): pode-se ensinar a pensar melhor. O importante é criar o conceito de algo, muitas coisas já existiam, mas ganharam peso quando alguém as sistematizou por meio de um conceito.

Símbolo da crise
A oposição entre a existência de currículos e a introdução de elementos inovadores, capazes de criar sentido nas práticas educativas, deu o tom de muitos dos debates e dilemas levantados ao longo do evento. Como a maioria das pessoas que lida com educação já constata há tempos, a escola, principalmente no nível médio, atravessa uma enorme crise de sentido, decorrente não só de si própria, mas das dinâmicas sociais, que mudaram substantivamente valores e velocidades na vida contemporânea.
Na discussão sobre conteúdos e inteligências, ancorada no conceito do psicólogo cognitivo americano Howard Gardner de inteligências múltiplas e o uso derivado das ideias de habilidades e competências, muitos docentes relataram dificuldades de lidar com a cobrança das famílias. Uma professora disse que a escola não se renovará sem o apoio explícito das famílias e das autoridades administrativas; outro reclamou de pais que enchem a agenda dos filhos e creem que não há ensinamentos quando a escola trabalha a partir do conceito de inteligências múltiplas; um terceiro, mais enfático, preferiu interditar o direito das famílias ao debate cotidiano: "eles não entendem de educação, e têm de admitir que somos nós, professores, que entendemos".
O currículo, ao que parece, inchou-se em demasia, seja na Europa ou no Brasil. Pudera. Desde que a escola se constituiu como elemento social de introdução de crianças e jovens no corpo da sociedade, preparando-os para a vida no estado democrático (às vezes nem tanto) e para o acesso ao universo cultural gerado pelo homem ao longo dos séculos, os conhecimentos produzidos aumentaram exponencialmente. Mais do que isso, foram se fragmentando mais e mais, com a criação de inúmeras especialidades, a muitas das quais pouca gente tem acesso, dado o refinamento de saberes exigido para isso. Nesse processo, a escola parece desnorteada acerca do que é ou não significativo para o  processo formativo dos estudantes. E tampouco há certezas metodológicas sobre como trabalhar, ou que situem os docentes sobre seu papel. 
Ana Ruiz, professora de língua espanhola da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Autônoma de Madri que há sete anos dá aulas para estrangeiros no contexto do Processo de Bolonha, vê a necessidade de a introdução das novas tecnologias ser acompanhada do contato direto entre professores e docentes em formação. "A maioria da formação é on-line, precisamos de mais ensino presencial. Não podemos cair no ritmo das empresas, temos de ter um modelo de formação desenhado por educadores."
Para a professora, a própria experiência do Processo de Bolonha - acordo multilateral firmado em 1999 entre países da Comunidade Europeia que prevê a livre circulação de estudantes nas universidades de diversos países e um currículo em tese mais flexível - demanda ajustes.

O currículo
"Depois de anos de implantação, notam-se fraquezas no processo. De um lado, houve uma grande burocratização do ensino e da vida do aluno; de outro, faltam investimentos em recursos", diz. Muito da burocratização diz respeito à necessidade de alinhar os currículos para que as disciplinas cursadas e os diplomas possam ser aceitos em todos os países participantes. "Mas isso não quer dizer que toda a Europa deve ensinar a mesma coisa. A diferença é um valor e cada país tem muito o que aportar a partir de suas especificidades", conclui.
Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco e um dos criadores da Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE), projeto apresentado em Madri, Luciano Meira crê que a escola atual é um jogo discursivo desbalanceado, com fatos em excesso e pouca ou nenhuma interação inteligente entre eles. "Falta uma engenharia didática que diminua o número de fatos e aumente o número de problemas. Não há por que ensinar monômios e polinômios, mas álgebra é importantíssima", exemplifica.
Assim, o currículo deveria sofrer uma drástica redução, passando a girar em torno de grandes temas e problemas que fizessem os alunos pensar e pesquisar, tudo isso amarrado por narrativas que dessem "sentido de propósito" às atividades e orientassem temporalmente a trajetória do que se produz.  "Sem narrativas, não há como inserir o sujeito na cultura", defende.
Na visão do psicólogo brasileiro, a escola atual padece de uma estagnação cognitiva, pois não há reflexão em torno da construção de novos problemas a serem propostos aos educandos e aos próprios professores. E, como os problemas já estão dados, não há construção de novas ideias. "Além disso, as últimas grandes descobertas científicas, realizadas de 20, 30 anos para cá, permanecem fora da escola. O tratamento com células-tronco, por exemplo, que traz à tona questões de várias naturezas, inclusive éticas, não é abordado."
Mas, se os currículos devem ser reelaborados ou sua função repensada, a partir de que ponto de vista isso poderia se dar? Albert Sangrà, da UAC, defende a ideia de "desconstruir para reconstruir". E diz que, antes de formarmos novos professores, precisamos saber para quê queremos formá-los. Mas, ao ser questionado se não há uma etapa precedente, que defina, em alguma medida de consenso social, uma filosofia da educação que dê princípios norteadores ao processo, o professor aponta a possível inação decorrente desse questionamento.
"Discutimos politicamente e nunca conseguimos chegar a um acordo para estruturar possíveis mecanismos de formação. Então, quando eu falava [nos debates do encontro], dizia o que aconteceria depois, partindo do princípio de que estivéssemos de acordo. Mas às vezes custa muito estar de acordo", admite Sangrà.
Ou seja, de um jeito ou de outro, as tecnologias aos poucos vão sendo incorporadas pela escola. O que é previsível, já que fazem parte da vida social de forma cada vez mais intensa. Mas o tipo de acordo social que permitiu a construção do desenho da escola como ela se apresentava no século 19 parece cada vez mais distante de ganhar uma nova versão. Pior do que isso, a discordância sobre as possíveis saídas - que não precisam e talvez não tenham possibilidade de ser universalizantes - vão ficando obscurecidas, como se não configurassem uma questão relevante. A educação, cada vez mais, deixa de ser uma questão política para tornar-se um objeto de satisfação das necessidades do indivíduo.

*O jornalista Rubem Barros viajou a Madri a convite da Fundação Telefônica

Fonte: Revista Educação