terça-feira, 5 de junho de 2012

Gostar de estudar, é possível?



                É muito difícil achar alguém que goste de estudar. Há uma simples razão para isto: nada representa maior perda de tempo do que passar horas na frente de livros e cadernos para colocar na cabeça um monte matérias que fatalmente serão esquecidas depois da prova. Horas e horas, cansativas horas. Deixamos de fazer o que gostamos para ficar ali, parados, em um quarto, decorando coisas que não têm nenhuma implicação direta em nossa vida, senão a prova do dia seguinte, ou melhor, a nota que obtivermos na prova. É desanimador.
                O estudo seria “chato” por natureza se ele significasse necessariamente perda de tempo (note que no parágrafo anterior eu descrevi o estudo chato como aquele no qual as matérias fatalmente serão esquecidas) e abstenção dos prazeres da vida. Contudo, aqui vem a boa notícia: é possível sim gostar de estudar. Isto não ;e uma piada. Se for possível estudar sem renunciar aos prazeres da vida, se for possível obter um rendimento alto no tempo de estudo e se for possível estudar em uma direção clara, o estudo se mostrará algo tão importante, benéfico e engrandecedor que não teremos o que nos queixar dele. Isto pode ser alcançado com alguns procedimentos simples, como a organização da rotina, seleção do material e, acredite, muito descanso. Quando você perceber que em uma única sessão se estudos de duas horas é possível aprender matérias que no colégio demoram um mês para serem dadas, você vai gostar de estudar (até porque vai sobrar tempo para jogar uma bola e sair com os amigos). Isso é sim possível, mas não vem sem que paremos para pensar com calma nos nossos horários. No próximo item, veremos como organizar nossos tempo para aproveitá-lo ao máximo.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 45, 46.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pais ajudam no aprendizado


Escola cria cartilha enfatizando a importância da participação dos familiares na rotina dos estudos

Estabelecer uma rotina de estudos e oferecer local adequado. Essas são duas das principais responsabilidades dos pais, Quando o assunto é tarefa de casa (ou o dever de casa) repassada pelas escolas. Mesmo com uma rotina cada vez mais apertada, o ideal é que os pais encontrem um tempo para acompanhar e estimular o aluno.
                A pedagoga do serviço de Orientação Educação do Colégio Marista Rosário, na Capital, Mariana Areta, ressalta que a presença dos pais é fundamental e muito importante para reforçar o valor do estudo. Mariana trabalhou na elaboração de uma cartilha destinada aos pais, com orientações sobre as tarefas de casa. A ideia é que o material dê suporte como se comportar de maneira a ajudar a potencializar os estudos dos filhos.
                “A cartilha surgiu de uma situação que começamos a observar em relação às dúvidas que alguns pais apresentavam quando os filhos ingressavam no colégio; e também a partir de um pouco de desvalorização dessas atividades”, explica a orientadora. Entre os questionamentos estavam a necessidade de os pais permanecerem junto aos filhos durante o tema; e o quanto se ajuda ou prejudica.
                Com a chegada da filha Giorgia ao 1º ano do Ensino Fundamental, essas dúvidas passaram a estar mais presentes para a empresária Graciela Scartom. “A angústia era de como ajudar sem prejudicar”, confessa a mãe. Assim, foi estabelecida uma rotina, que permitisse à filha ter um espaço de estudo, e houve a participação na rotina escolar. Para Graciela, essa foi uma maneira de também ampliar os laços com a filha. “Os pais acabam ficando apenas cumprindo a obrigação de levar e buscar no colégio. Por isso, passamos também a acompanhar e a valorizar os avanços que ela tem, estimulando ainda mais a importância do Ensino”, revelou.
                A pedagoga diz que a ideia básica é que os filhos tenham um suporte de apoio. “a tarefa de casa de ver valorizada e estimulada pelos pais, porque representa a continuidade do Ensino.” Além disso, Mariana lembra que é preciso ter cuidado no momento de ajudar, para não realizar a atividade pela criança.
                A tarefa de casa desempenha ainda papel importante na formação do estudante, uma vez que representa a continuidade do assunto, o reforço do que foi ensinado e também é capaz de revelar algumas dificuldades no entendimento para a especialista, “Essa atividade é uma maneira de permitir a troca de ideias, de apresentação dos conteúdos e serve ainda de base para a avaliação do desempenho e do aprendizado do aluno sobre o que está sendo ensinado em aula”, Resume. 

Fonte: Correio do Povo, 27 de maio e 2012.
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Geografia



A prova de Geografia pode variar bastante dependendo da universidade e do ano do vestibular. Em alguns anos muitos detalhes são perdidos; em outros, mais um conhecimento geral. Ao estudar Geografia, trabalhe diretamente com um Atlas Geográfico competente, desenhe mapas e use linhas do tempo. Tente ligar ao máximo os conteúdos sobre meio-ambiente e cobertura vegetal com a matéria de biologia. Não se esqueça de dar destaque à Geografia Humana, os movimentos populacionais (Incluindo os da História do Brasil) e as pirâmides etárias, que são questões recorrentes.
                Importantíssimo: Leia os jornais, Não precisa ler tudo ou demorar horas a cada dia. Apenas pegue o jornal, olhe as manchetes sobre o que está acontecendo no mundo. Preste a atenção nos assuntos mais discutidos. Faça isso reservando 15 minutos no início do dia para ler o jornal. Esta sugestão serve também para História.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 78.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Física



A prova de física não possui muitos mistérios: é fácil identificar sobre o que cada questão trata e um pouco de raciocínio é suficiente para eliminar algumas respostas. Porém, é importante conhecer bem a matéria e as fórmulas. O bom, no caso, da Física, é que as algumas fórmulas são intuitivas e já contêm parte do que é preciso saber da matéria. Por exemplo: que a velocidade é a variação do deslocamento dividida pelo tempo ou que a aceleração é a variação da velocidade em determinado tempo, isso é intuitivo.
                Assim, estude com as fórmulas e faça exercícios. Se você souber as fórmulas e o que cada símbolo delas significa, são grandes as chances de um bom desempenho. Eu sugiro que todas as fórmulas sejam decoradas, de modo que você possa, logo que a sineta tocar no dia do vestibular, escrevê-las todas na capa da prova de física, como uma garantia de que você terá todas para trabalhar com calma no tempo que resta.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 76, 77.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Matemática


  
   Esta matéria é bastante temida por grande parte dos candidatos. O motivo é evidente: nas questões de matemática, é exigido mais do que a aplicação das formulas de cada conteúdo; quem as elabora procura trabalhar com o raciocínio matemático do candidato. Muitas vezes não conseguimos nem mesmo identificar sobre o que a questão trata – “Este é um problema de progressão Geométrica, Geometria plana ou Análise Combinatória?”.
     Para superar este desafio, o primeiro passo é conhecer as matérias e as formulas. Se conseguir, decore as fórmulas até que você consiga escrevê-las com os olhos fechados. Treine desenhar as figuras da geometria e se familiarize com os gráficos. Mas, principalmente, faça os exercícios. Porém, se você quer obter um desempenho bom na prova de matemática, você não deve apenas fazer os exercícios, mas também desenvolver a habilidade de identificar o propósito de cada questão. O melhor modo de adquirir esta habilidade é fazendo as provas do vestibular dos anos anteriores, onde as matérias aparecem misturadas. Não adianta fazer 15 exercícios “sobre Trigonometria”, um seguido do outro, porque já se sabe da antemão as fórmulas e mais ou menos o que será exigido. É importante tentar resolver os exercícios sem saber de que matéria eles são.
     Outro modo de tentar adquirir um raciocínio matemático é tentando explicar as matérias ou os passos para resolver as questões por escrito. Isso pode parecer impossível, mas não é. Tente elaborar uma lista de procedimentos, para resolver questões envolvendo triângulos, e procure explicar com suas palavras qual a diferença entre Arranjo e Combinação Simples quando estudar análise combinatória. Faça, você mesmo, gráficos e tabelas. Procure as diferenças conceituais entre Progressão aritmética e Geométrica. Tente escrever estas distinções e preste mais a atenção nos textos dos livros de matemática do que nas fórmulas.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 76.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dica de Vestibular: Português


    
     O Conteúdo que compões a matéria de Português é vasto e cheio de casos especiais. Mesmo que todos falantes de português sejam capazes de fazer alguma pontuação mínima nesta prova, não se engane: saber interpretar os textos e conhecer a grande quantidade de regras e particularidades de nossa língua requer muito estudo. Lembre-se de que em alguns vestibulares as provas de português e redação compões juntas o escore de Língua Portuguesa, de modo que os acertos em uma prova compensam os erros na outra. Assim, atingir uma boa pontuação na prova de português pode nos livrar de desagradáveis surpresas da nota da redação.
     As regras gramaticais não são como as leis físicas ou como as formulas matemáticas: elas admitem exceções. Em alguns casos são tantas que não é possível nem mesmo formular uma regra. Desta forma, se você for estudar somente as regras isso não será garantia de bom desempenho. O que você precisa saber são as exceções. São exatamente elas que caem nas provas, já que são a medida do conhecimento culto de nossa língua. Estude-as e você estará estudando exceções. Se for possível, ame as exceções. Em suma, não estude como se as regras fossem o total da gramática: nos casos especiais estará a solidez do seu estudo.
     No dia da prova, quando for fazer a de Português, leia as questões referentes aos textos antes dos textos. Assim, logo na primeira leitura você já terá uma ideia de como preencher as lacunas do texto e já poderá sublinhar partes que se referem as questões.

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 75.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dica de Vestibular: REDAÇÃO



     Começo pela redação porque ela é realmente um caso à parte e tem sempre um grande peso no resultado final. O aluno deve ser não somente disciplinado e criativo, mas também deve controlar o tempo. Você deve ser capaz de acabá-la em 2 horas no máximo.
     No dia da prova de Português e redação, comece lendo o tema da Redação, depois dê aquela passada de olhos na prova de português antes de fazer o rascunho. Antes ainda de começar a escrever, faça um esquema do seu texto: título, introdução, desenvolvimento e a conclusão. A redação deverá ser uma dissertação, isto é, a defesa de um ponto de vista de uma opinião sobre o tema proposto. Esta “defesa” pode conter uma breve narrativa ou experiência pessoal como parte do argumento, mas não é uma mera narrativa, não é uma história. Você deve encontrar motivos, fatos e justificativas que permitem sustentar seu ponto de vista, o que formará o chamado “desenvolvimento”. A sua opinião estará sintetizada no título, citanda na introdução e explicada conclusão.
     A extensão do texto a ser elaborado é limitada por um numero máximo e mínimo de linhas. Um texto mais curto pode conter menos erros gramaticais, mas poderá pecar na exposição das ideias. Um texto mais lingo pode ajudar a expor seu ponto de vista, mas leva a uma maior chance de erros gramaticais. Então, vamos pensar em fazer uma redação de 40 linhas. Sugiro que a dissertação tenha quatro parágrafos: Introdução, você sintetiza o tema proposto, cita os argumentos que serão expostos nos desenvolvimentos 1 e 2 e adianta em linhas gerais, a conclusão: isso em 6 ou 8 linhas. No Desenvolvimento 1 você expõe um primeiro ponto de vista a respeito do tema, explica tal opinião e adiciona um exemplo, tudo isso em 10 ou 12 linhas. No Desenvolvimento 2, rebata ou torne mais consistente a explicação dada anteriormente, com argumentos contrários ou mais profundos, utilizando-se de algum exemplo relacionado à história mundial ou à atualidade (por isso estudar História e Geografia ajuda muito na redação): use mais umas 12 ou 13 linhas. Na conclusão relacione os argumentos apresentados nos desenvolvimentos, extraindo uma moral, uma tese, uma opinião que supere os exemplos, apontando soluções possíveis ou qual é o melhor argumento, isso dentro de 8 a 10 linhas. O importante é você tentar realmente defender um ponto de vista, dizer o que pensa e encontrar razões que sustentem suas opiniões.
     Só há uma forma de estudar redação: praticando. Reserve um horário de 2 horas cada quinze dias para fazer uma redação. Você precisará de alguém para corrigi-las, seja professor do colégio, do cursinho, ou um professor particular. Além disso, são interessantes aqueles livros sobre “Redação no vestibular”. Sugeri alguns no Apêndice 6. Outra coisa que pode ajudar na redação. é estar bastante familiarizado com os chamados “conetivos”: assim, logo, portanto, desta forma, desta maneira, consequentemente, além disso, além do mais, em primeiro lugar, primeiramente, por isso, no entanto, contudo, todavia, entretando, na medida em que, à medida que, em suma, finalmente, etc. Estes conetivos darão fluidez e elegância ao seu texto, além de ajuda-lo a expor seus argumentos com clareza máxima. 

Fonte: Livro Vestibular 100% - Método de Estudo, Descanso e Lazer. P. 73,74.
Autor: Fábio Ribeiro Mendes

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como conciliar a vida adulta com os estudos?

Especialista fala como incluir o hábito de estudar em meio a tantas obrigações familiares e profissionais.Conquistar uma vaga pública, fazer um curso superior ou atualizar o currículo profissional. Esses são alguns dos motivos que levam milhares de pessoas de volta à rotina de estudos. 

Para o psicólogo especialista em ciências cognitivas, Fernando Elias José, é possível conciliar esta tarefa em meio à rotina de obrigações, desde que a pessoa esteja disposta a se dedicar. 

“O que eu recomendo é que os estudantes estejam por “inteiro” em cada momento em que estiverem vivendo, ou seja, quando estiverem estudando prestem atenção no estudo e quando estiverem com a família ou no trabalho vivam esse momento.” fala o especialista. Para quem se identifica com essa situação, a dica do profissional é manter a disciplina e a organização.

“A frequência do estudo deve ser feita a partir de um planejamento que deverá ser realizado com metas reais e palpáveis.  Se a pessoa se organizar em estudar uma hora por dia, por exemplo, deverá fazer isso todos os dias, pois dessa maneira estará educando seu cérebro para essa rotina de estudos.” fala Fernando.

Não se apegue ao “se”
Ao assumir uma rotina de estudos junto ao dia a dia atribulado, é comum que o sentimento de culpa apareça quando, às vezes, o que foi proposto não é cumprido. Neste momento, a pessoa pode começar a desenvolver pensamentos que criam verdadeiros empecilhos na hora do estudo.São pensamentos como: “Ah, se eu tivesse mais tempo”, “Ah, se eu não tivesse que trabalhar!”, entre outras situações para justificar aquilo que deveria ter sido feito.

Em casos como estes, o Dr. Fernando recomenda a troca de pensamentos destrutivos por pensamentos mais saudáveis, que possam trazer solução e resultados positivos ao estudante. “Ao perceber este erro, o estudante deve sair do papel de vítima e assumir a postura de responsável por seus atos, se propondo a resolver a situação com um novo plano de estudos e organização.” comenta o especialista.

Fernando Elias José é psicólogo, mestre em Cognição Humana na PUCRS, especialista em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pela WP Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, com Curso de Extensão em Psicoterapia Cognitiva na UFRGS. Ministra palestras e é membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas. Há doze anos dedica-se à pesquisa em Ciências Cognitivas e vem trabalhando com preparação para provas e concursos. Realiza também atividades como consultor comportamental em empresas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sem tempo para brincar?

Muitos pais exageram na dose e criam agenda de adultos para suas crianças.

Com a correria cotidiana, parece ser pecado destinar parte do dia à ociosidade, mesmo quando ainda se é criança. Nesse caso, a escolha por ocupar quase todos os minutos que seriam livres geralmente é dos pais e nem sempre é levada em consideração a opinião dos pequenos. Agora, qual será a medida certa para inserir tarefas extracurriculares na agenda deles?

A dica da educadora Maria Cecília Rodrigues de Oliveira, editora do Agora Sistema de Ensino e do Ético Sistema de Ensino, da Editora Saraiva, é os pais estarem sempre atentos para conseguirem identificar quando os filhos estão sobrecarregados.
“Cada criança reage de uma forma. Daí a importância de os pais conhecerem bem o comportamento de seus filhos para que possam estabelecer um parâmetro entre antes do início das tarefas extracurriculares e depois. Sugiro a eles observarem a ocorrência de mudanças bruscas de comportamento da criança, como sinais de insônia, inapetência, cansaço, desatenção excessiva, irritabilidade, agressividade, choro sem explicação aparente e apatia”, afirma.

É normal que os pais tenham dúvidas sobre qual é a melhor maneira de preparar as crianças para o mundo adulto, mas a especialista ressalta que é importante eles refletirem bem antes de sair matriculando os pequenos nas mais diversas atividades. 

“O mais importante é que a decisão de frequentar um curso extra esteja pautada no desejo genuíno da criança, mesmo que os pais considerem que ela não apresenta grandes habilidades para aquilo. E, na medida do possível, viabilizar o acesso dos filhos a diferentes oportunidades para eles fazerem suas próprias escolhas”, destaca a editora.

No entanto, nem sempre uma criança tem clareza do que lhe está sendo proporcionado e qual o significado disso em sua vida; então, argumentar a favor da continuidade de algo que não lhe é prazeroso parece fadado ao fracasso. 

E a professora aconselha os pais a acompanhar o desempenho dos filhos nessas aulas, buscando informações sobre o comportamento e os relacionamentos deles nesses locais. 

“Se os adultos perceberem que não há interesse por parte da criança em fazer determinada atividade, repensem sobre quão madura emocionalmente ela está para assumir novas responsabilidades. Às vezes, é melhor adiar um pouco”, explica Maria Cecília.

 Como é por meio do “brincar” que a criança aprende pouco a pouco quem é ela e o outro e quais são as dimensões do próprio corpo e suas possibilidades e limitações, os adultos devem estar atentos para não tirar o espaço para as brincadeiras do dia a dia dos filhos.

 “É brincando que uma criança exercita diferentes papéis, aprende a elaborar hipóteses e a lidar com as fantasias. A brincadeira possibilita à criança vivenciar um mundo mágico e criativo que lhe abre portas para usufruir a realidade de modo saudável, seja na interação com outras pessoas como no prazer que encontra nas atividades que realiza”, finaliza.

O Agora e o Ético, os dois sistemas de ensino da Editora Saraiva, respeitam o direito de brincar da criança ao proporem atividades lúdicas como situações de aprendizagem. Com conteúdos significativos e múltiplas linguagens, os materiais buscam contribuir com o educador ao oferecerem possibilidades didáticas de aproximação entre o dia a dia e o contexto escolar. 

Os dois sistemas disponibilizam completa linha de materiais didáticos, da educação infantil ao pré-vestibular, além de um conjunto de soluções educacionais integradas. Isso inclui portal para alunos e educadores, cursos presenciais e a distância para professores e gestores municipais, análise de desempenho escolar e ampla assessoria pedagógica.

Fonte: Planeta Educação

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sala de aula sem professor

Esther Pillar Grossi*



Inimigos de Classe é o nome da forte peça de teatro com a qual Luciano Alabarse brinda Porto Alegre neste momento. Esteve em cartaz no Theatro São Pedro e voltará a ser apresentada a partir do próximo dia 30, durante quatro semanas, no Centro Municipal de Cultura. 

Um, dentre muitos aspectos que Inimigos de Classe suscita em quem vivencia a realidade de algumas escolas públicas,são faltas frequentes de professores. 

Assisti a Inimigos de Classe há dias e não consegui escrever imediatamente a respeito do que me ocorreu sentir e pensar durante o espetáculo impactante. Um pouco do que senti e pensei transcrevo a seguir, provocada pela eloquência de uma boa obra de arte. 

Todo santo dia mergulhada que estou na trama escolar de escolas públicas pelo Brasil afora, na Colômbia e em Cabo Verde, apalpei a atualidade estarrecedora de Inimigos de Classe, escrita em 1935, na Inglaterra. 

A falta de professores nas salas de aula é uma realidade tão corriqueira em escolas públicas, que faz com que a gente ouça e sinta a tragédia dos alunos de Inimigos de Classe, à espera de um professor que não vem,como pungentemente familiar. 

Autora diz que professores faltam às aulas porque não têm prazer de ensinar. Você concorda?

Pasmem, em uma "boa" escola pública de Porto Alegre, cuja média dos salários dos seus 70 professores é R$ 5 mil, a cada dia, há anos, acontece em média ausência de oito deles. Estas ausências obrigam diariamente a uma adaptação do horário de cada turma e naturalmente um viés assassino nos planejamentos já preparados para tentar levar os alunos a se apropriarem das riquezas do patrimônio cultural e científico que nos legaram nossos antepassados, razão específica da existência das escolas. 

Dentre as muitas experiências de alunos sem professora, uma me marcou quando reuni, depois de um curso de matemática, um grupo de professores desejosos de continuar estudando essa apaixonante disciplina científica. Fizemos um planejamento em torno de um campo conceitual superinteressante, que é o sistema de numeração. Dispusemos material multibase para todos os participantes e, passadas seis semanas, nenhuma das 10 professoras, cada uma de uma escola diferente, executou o planejamento devido à falta de colegas professores. Não havia possibilidade de executar seus planejamentos didáticos previstos para uma só turma em outra com o dobro de alunos. Juntar duas turmas é uma das alternativas para tapar o buraco de uma professora faltante. 

E por que há professores que faltam tanto? Por um lado, por irresponsabilidade deles. Mas, fundamentalmente, o que desmotiva um professor é ensinar pouco e não curtir as imensas alegrias de quem faz aceder ao conhecimento uma turma de alunos. 

Mas, por que ensinam pouco? Porque utilizam metodologia ineficaz, calcada em explicações que embrutecem. Embrutecem porque seguem a lógica dos conhecimentos a ensinar, e não a lógica na qual os alunos aprendem. Para que isso mude, é necessário que a formação dos professores seja outra, mas principalmente que esta nova formação inclua a força prodigiosa do desejo de ensinar de professores com a qual, associada a muitos e sólidos conhecimentos científicos, vá realizar o que Freud caracteriza como atividades profissionais impossíveis: curar, educar e governar. Impossível para Freud é aquilo que só é conseguido com as energias próprias do desejo, capazes de inventar diante dos impasses surpreendentes que os impossíveis contemplam.

*Doutora em Psicologia Cognitiva pela Universidade de Paris

quarta-feira, 28 de março de 2012

Novos rumos da educação a distância

Com um número de matrículas cada vez maior, essa modalidade de ensino requer o aumento da interatividade entre professores e alunos, além de oficinas de capacitação para facilitar o acesso às tecnologias disponíveis.
Por: Mariana Rocha

Muito antes da disseminação da informática, a educação a distância já era uma realidade, seja nos antigos cursos por correspondência ou em aulas exibidas pela televisão. Responsável por levar o conhecimento até pessoas que moram longe das universidades, esse método de ensino passou por grandes transformações e sua contínua modernização tenta suprir as necessidades do crescente número de alunos, entre elas, a maior interatividade.
Segundo Klaus Schlünzen, coordenador do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em São Paulo (SP), a tecnologia é a principal ferramenta que permite maior interação entre professores e alunos separados fisicamente. “É preciso formar uma rede de aprendizagem onde alunos e professores criem uma relação não hierárquica e de forte diálogo”, explica.
Schlünzen: “É preciso formar uma rede de aprendizagem onde alunos e professores criem uma relação não hierárquica e de forte diálogo”
Dentre as ferramentas disponíveis, a mais utilizada é o ambiente virtual de aprendizado, uma plataforma on-line onde professores e alunos debatem sobre os assuntos contidos no material didático por meio de fóruns ou conversas individuais. Além disso, é possível registrar em formato digital o que foi discutido para enriquecer a avaliação da aprendizagem, já que o educador pode analisar o processo como um todo e não apenas o aprendizado final do aluno.
O desenvolvimento de salas de aula virtuais avança a passos largos e a interatividade é o ponto chave das pesquisas na área. A criação de programas de computador voltados para a educação a distância facilita o surgimento de novos cursos, mas é preciso preparar os alunos para o uso das tecnologias.
De acordo com Claudete Paganucci, pedagoga que coordena o curso de graduação a distância em pedagogia do Centro Universitário Claretiano, em Batatais (SP), a integração da equipe responsável por administrar os cursos é crucial para o sucesso da educação a distância. “Tanto professores quanto alunos precisam de oficinas de capacitação para que o acesso às novas tecnologias seja um facilitador do ensino e não gere frustração na hora de aprender ou ensinar”, esclarece.
Além de participar das oficinas, é preciso ter dedicação. Paganucci acrescenta que a maioria dos alunos é composta por adultos, que, diferentemente das crianças, têm maior capacidade de concentração ao estudar em casa. Apesar das exigências, o método de ensino permite que o aluno organize seu próprio horário de estudos e concilie a graduação com um emprego.

Preconceitos

Mas a educação a distância ainda deixa muita gente com o pé atrás, como mostrapesquisa feita por Paganucci em seu doutorado na Unesp. Por não saber como funciona a metodologia, algumas empresas ainda não acreditam que o aluno que aprende fora do ambiente físico da universidade tem a mesma capacidade que profissionais formados pelo ensino presencial. “É preciso esclarecer que, muitas vezes, o aluno da educação a distância é mais dedicado que o da educação convencional”, enfatiza a pedagoga. “Aprender de casa exige disciplina e persistência.”
Paganucci: “Muitas vezes, o aluno da educação a distância é mais dedicado que o da educação convencional”
Outro fator que gera preconceito – agora nos próprios alunos – é a distância física do professor. Se o educador não conhece o aluno pessoalmente, como pode atender as necessidades individuais de aprendizado de cada um?
Paganucci explica que a interação, seja por telefone ou nos ambientes virtuais, pode funcionar melhor do que na sala de aula, já que o aluno tem a possibilidade de discutir individualmente – e repetidamente – com o professor sobre o conteúdo trabalhado. Além disso, o material didático pode ser complementado com textos sobre a cultura de cada região atendida pelo programa de educação a distância da universidade.
Apesar dos preconceitos, a adesão à educação a distância vem crescendo a cada dia. Desde 2010, mais de um milhão de pessoas já se matricularam em cursos de graduação nessa modalidade, que tem contribuído muito para democratizar o conhecimento no nosso país.
Fonte: UOL Educação

quarta-feira, 21 de março de 2012

Projeto Autonomia, aprendendo a aprender

Terça-feira foi marcada pela realização de oficinas 
O Projeto Autonomia teve início no Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat) na segunda-feira, 12, com palestra para pais e alunos. No turno da manhã, as turmas de 8ª série do Ensino Fundamental (EF) e Ensino Médio assistiram à apresentação musicada "O Estudo em nossas vidas", com argumentação do professor Fábio Mendes e músicas de Rafael Korman. De acordo com Mendes, estudar é como escovar os dentes. "A gente não nasce sabendo, mas cria o hábito e, quando não escovamos, acabamos sentindo falta", exemplificou. Ele ainda diferenciou o estudar do revisar um conteúdo e deu dicas de como criar condições adequadas de estudo, com objetivos bem definidos, material didático, horários estabelecidos e local específico.

À noite, foi a vez dos pais das Séries Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio descobrirem como se dá o hábito de aprendizagem, com a palestra "Estudos, Limites e Autonomia". Na abertura do evento, o professor Fábio questionou a plateia sobre os desafios enfrentados pelos filhos no estudo em casa. O professor apresentou a definição de autonomia, explicando aos pais que seus filhos devem ter opções de escolha dentro de determinados limites também no estudo. "Para quem ainda não tem esse hábito, podemos começar com duas sessões de estudos semanais, de uma hora cada, com horários escolhidos pelos próprios alunos", afirmou. O professor também sugeriu alternativas de como os pais podem acompanhar o rendimento dos filhos.

Segundo Orilde Heineck, mãe de aluno, ela já tinha conhecimento de alguns assuntos abordados no evento, mas "é sempre bom relembrar, pois muitos dados acabam ficando adormecidos". "Achei ótima a definição de limites moderados", acrescentou. Por parte dos alunos, Fernanda Isse, da turma 17B, gostou das dicas e acredita que elas podem ajudar no rendimento escolar. "Achei interessante saber que qualquer barulhinho pode nos atrapalhar e a importância dos locais de estudos", resumiu Fernanda. Além das palestras, os alunos da 5ª série do EF ao Ensino Médio também participam, ao longo da semana, de oficinas de Métodos de Estudo e Programação de Horários.



Confira também o depoimento da aluna Huda AQUI!

Fonte: CEAT

quarta-feira, 14 de março de 2012

Iniciação Cientifica - Primeiros experimentos

Programas de iniciação científica preparam os alunos para a vida acadêmica a partir do desenvolvimento de habilidades como organização do estudo, introdução à pesquisa e ampliação da capacidade de abstração


Assista à videoaula do estudante Daniel Guinezi, resultado de um projeto de iniciação científica para o ensino médio  aqui!

Quem assiste no YouTube à vídeoaula sobre o uso que o cineasta Stanley Kubrick  fez de diversos tipos de lentes na busca de efeitos específicos nos seus filmes não imagina que o trabalho foi realizado por um aluno de ensino médio - a única pista é o símbolo da escola, que aparece logo na introdução. Daniel Guinezi, recém-formado pelo Colégio Móbile, desenvolveu As lentes na sétima arte como resultado de um projeto de iniciação científica na escola. "Normalmente, todos os trabalhos que fazemos são já pré-moldados e só executamos. Com a iniciação, tivemos liberdade criativa pela primeira vez. Fizemos um trabalho mais autoral e que se distingue dos outros dos colegas", conta Daniel. "Além disso, eu nunca tinha feito uma pesquisa durante meses. Foi bom para ter a experiência do que vamos fazer na faculdade." Inspirado nesse projeto, ele está prestando vestibular para publicidade e propaganda, com a ideia de produzir vídeos que comuniquem uma mensagem para o público.
A iniciativa do colégio em que Daniel estuda faz parte de um fenômeno que tem aumentado bastante nas escolas particulares e públicas do país. Preocupadas em oferecer aos jovens um preparo para além do vestibular, que abranja a vida acadêmica da graduação e da pós, muitas instituições desenvolveram programas de iniciação científica em diferentes moldes para alunos do ensino fundamental e, especialmente, do médio. Em 2011, o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia fez uma recomendação nesse sentido. Criada naquele ano, a Comissão do Futuro da Ciência Brasileira, liderada pelo neurocientista Miguel Nicolelis, tem como objetivo fazer um panorama da pesquisa científica no país e sugerir maneiras de ampliar essa área no Brasil. Uma das estratégias será justamente a de introduzir a pesquisa na escola, com o intuito de criar gosto nas crianças pela ciência desde cedo.
"Essas iniciativas aumentaram muito a partir de 2010, e hoje temos muitas delas disseminadas pelo país inteiro", afirma Cristiane Braga, coordenadora da etapa Avançado do Provoc (Programa de Vocação Científica), da Fiocruz. O Provoc é a iniciativa do gênero mais antiga no país, criada em 1986 e hoje conveniada com 17 instituições - 11 escolas públicas, três da rede particular e três ONGs. Cada escola parceira faz uma seleção e encaminha 15 candidatos. Em uma primeira etapa, o aluno vivencia durante um ano o dia a dia do trabalho do pesquisador, integrado à equipe, e apresenta um trabalho para a comunidade universitária. A partir disso ele pode se candidatar à segunda etapa, para se aprofundar no tema que começou a estudar, elaborar um projeto de pesquisa e o desenvolver ao longo de 22 meses, com a orientação de pesquisadores da Fiocruz.
Em 2010, a instituição criou, em 2010, o Observatório Juventude, Ciência e Tecnologia para mapear, sistematizar, analisar e difundir informações passíveis de auxiliar alunos da Educação Básica que se interessam pela pesquisa acadêmica e pelas ciências e tecnologia. Parte do projeto consiste em encontrar todos os programas de iniciação científica para escolas de ensino fundamental e médio no Brasil. Até agora foram relatadas 76 delas, a maior parte envolvendo a rede pública.
Uma das justificativas para o crescimento está na criação do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio (Pibic-EM), que oferece bolsas de estudo para alunos de nível médio (e, no futuro, ensino fundamental) de escolas públicas, formatado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 2010. "Quando o CNPq abraçou a ideia, criou várias regionais pelo país, e isso espalhou a iniciação científica pelo Brasil", explica Cristiane. O Pibic-EM permite que os alunos trabalhem durante um a três anos nos laboratórios de universidades pelo Brasil afora. Em dois anos, o programa já ofereceu 5.588 bolsas para 113 instituições.

Âmbito privado

Nas escolas particulares, segundo Cristiane, da Fiocruz, a maior parte das iniciativas se concentram na cidade de São Paulo. No Móbile, a iniciação científica não é obrigatória nem faz parte do currículo. Alunos do segundo ano do ensino médio podem se inscrever e se submeter ao processo seletivo, que segue três critérios, semelhantes ao ensino superior: pertinência do tema, desempenho e disponibilidade do aluno (ele não pode ter uma recuperação, por exemplo) e a capacidade dos professores de orientá-lo, pois há um número limitado de vagas.
A partir disso, o processo continua tal como é na universidade, mas com um acompanhamento ainda mais próximo do orientador. O processo inclui levantamento de bibliografia, escolha de fontes de pesquisa, entrevistas, organização de tempo e cronograma. Existem três professores que também desempenham as tarefas de coordenadores de iniciação científica de ciências da natureza e matemática, física e de humanidades. Quando o tema escolhido pelo aluno se desvia muito dessas áreas principais ou quando os coordenadores estão sobrecarregados, outros professores da escola são convidados a orientar.
O diferencial da proposta do Móbile, no entanto, é ter como premissa o compartilhamento dos trabalhos no fim do processo, depois de um ano. Além de fazer e entregar uma pesquisa por escrito, os alunos precisam encontrar uma forma interessante de reproduzir esse trabalho em uma atividade virtual colocada pela escola. No ano passado, foram jogos virtuais. Esse ano são as videoaulas. Com isso, os alunos aprendem não apenas como fazer uma pesquisa acadêmica, mas a dominar uma ferramenta eletrônica como desenvolvedores.

Ponte com a escola

Maria da Glória Martini, professora de física do colégio e coordenadora de iniciação científica de ciências e matemática, explica que os temas, apesar de livres, estão quase sempre ligados ao currículo da escola, mas não são necessariamente abordados pelo saber escolar. Por exemplo: a teoria da relatividade é abordada na sala de aula, mas o professor não necessariamente liga o assunto ao acelerador de partículas desenvolvido pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern). "Eu falo disso na classe? Falo. Mas não com a profundidade que um aluno talvez gostaria, para depois estudar o tópico", explica, fazendo referência  a um estudante que escolheu justamente esse tema. "Ele entrou no site do Cern, conversou com pesquisadores de Genebra. Para poder ensinar na videoaula, teve de saber ainda mais do que aquilo que estava preparado para falar." A ideia, segundo ela, é abrir uma janela para que outras pessoas, de outras escolas e outras cidades e estados, possam se aprofundar no tema a partir da apresentação dos alunos.
Essa questão, na verdade, está no cerne de todo projeto de iniciação científica - seja ele feito na universidade ou na Educação Básica: o estudo e aprofundamento individual em um tema especializado. Os alunos aprendem muito com isso, mas a principal intenção da escola é focar o processo e o ato de ensinar a pesquisar: como fazer referências bibliográficas, escolher fontes de pesquisa, organizar o material e o tempo, fazer um recorte pertinente do tema, aprender a desenvolver um texto de fôlego e bem estruturado, lidar com prazos longos.
Tendo isso em vista, o modelo de iniciação científica muda de escola para escola, mas sempre com muita atenção no processo. Uma iniciativa mais comum entre alguns colégios são as monografias feitas de maneira semelhante ao trabalho de conclusão de curso na faculdade. É o caso do Colégio Ítaca, que oferece a monografia como algo obrigatório no segundo ano do ensino médio, sendo que o trabalho vai de abril a novembro. A cada ano a escola propõe um tema amplo e 95 subtemas e os alunos ficam livres, dentro desse contexto, para escolher do que querem falar, podendo se apropriar dos subtemas sugeridos ou não. Esse ano, por exemplo, o grande tema foi a globalização. "Quando pedimos um tema não é para limitar em uma camisa de força, mas para garantir que todos tenham um ponto de partida inicial. São sempre assuntos que estão relacionados de alguma forma à vida deles", explica Mercedes Ferreira, diretora do ensino médio do Ítaca.
Os alunos escolhem um professor orientador, mas não há uma disciplina reservada para essa atividade. Há muita troca de e-mails e os alunos se encontram com seus orientadores fora do horário de aula, eventualmente usando algumas aulas para tratar do assunto. Na hora da correção, cada estudante faz duas cópias do seu trabalho, que é avaliado pelo menos por dois professores que fazem uma média e aplicam uma nota, e a monografia fica armazenada na biblioteca da escola.

Busca da Autonomia 

Mercedes explica que o foco da escola é ensinar o passo a passo metodológico envolvido em um trabalho acadêmico formal. Ao longo de seis meses, os alunos devem apresentar, como pequenas tarefas, etapas do desenvolvimento da sua monografia. Primeiro o tema e a justificativa dele, depois uma leitura que o aluno tenha feito e assim por diante. A ideia é construir junto ao jovem uma autonomia e segurança acadêmica e pessoal para o ingresso na universidade. Ela complementa que é um ledo engano as escolas de ensino médio pensarem que o final do curso é o vestibular. "Uma das funções do ensino médio é preparar para uma nova etapa da escolaridade, e não para o vestibular. Isso o cursinho faz muito bem. Preparar uma monografia significa, além de criar autonomia, pensar na questão da formalidade, no longo prazo, fazer um texto sozinho e elaborar uma pesquisa - que é uma iniciação científica."
Outra questão interessante da monografia é a interdisciplinaridade. Mercedes observa que os alunos passam a compreender melhor que um tema de estudo muitas vezes envolve diversas áreas, e que na verdade todas elas estão conectadas na vida real. "Assim, um aluno apaixonado por futebol, por exemplo, vê que também pode falar com a professora de sociologia, depois com a de matemática, e que muitas vezes as várias ciências se complementam para um resultado", diz.
No colégio Equipe, a monografia se assemelha à do Ítaca, mas além de obrigatória, é uma disciplina inserida no currículo, com avaliações bimestrais. O projeto é desenvolvido no terceiro, e não no segundo ano do ensino médio. Primeiramente, os alunos estudam a metodologia do trabalho científico, para somente depois se aventurar na tese. Nas aulas semanais de monografia, a turma de 50 alunos se divide em grupos de 10 e recebem orientação de professores voltados para as áreas de estudo de cada um. Levar a experiência para fora dos muros da escola, segundo a diretora escolar do Colégio Equipe, Luciana Fevorin, é algo que parte dos alunos naturalmente. Vão às bibliotecas municipais e universitárias, entram em contato com pesquisadores, se inscrevem em seminários. "Um garoto estava fazendo uma monografia sobre história em quadrinhos e por isso frequentava a biblioteca da Faculdade de Arquitetura da USP. Acabou se interessando por arquitetura e decidiu seguir a carreira", conta.

No ensino fundamental
O programa de iniciação científica no Colégio I. L. Peretz foi elaborado a partir do relato de ex-alunos que diziam ter dificuldades com trabalhos acadêmicos na faculdade. A experiência começou no ensino médio, em que o aluno aprende as primeiras noções da metodologia de um projeto de pesquisa no primeiro ano e, no segundo, desenvolve todo o trabalho para passar por uma qualificação e banca (de professores) no terceiro. Depois disso, a escola ampliou a iniciação científica para todos os anos do ensino fundamental, a começar pelo quarto. "Percebemos que quanto antes o aluno começava a desenvolver esse pensamento científico, mais fácil era para ele depois, porque vai se acostumando com esse jeito de pensar e de ver as coisas", afirma Roxane Nascimento, coordenadora de Projetos e Tecnologia do colégio.
Desta forma, os estudantes vão, ao longo dos alunos, adquirindo novas habilidades de pesquisa e pensamento acadêmico por etapas. Se no sexto ano eles aprendem a fazer uma pesquisa básica e a como buscar fontes, no sétimo já trabalham com a elaboração de justificativas, citações e levantamento de problemáticas, e no oitavo e nono ano têm como objetivo fazer uma pesquisa e criar um produto que atenda a uma necessidade real. No fim de cada etapa, a escola incentiva os alunos a divulgar o resultado de suas pesquisas, seja na participação de feiras de ciências, como a Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), organizada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), seja na publicação dos trabalhos na internet no formato de revista digital e site.
Roxane coloca que o jovem hoje em dia não tem dificuldade de obter novas informações, por isso o papel da escola no desenvolvimento do pensamento acadêmico é orientá-lo sobre como trabalhar com essa informação abundante. "Eles sabem de tudo o que acontece no mundo, mas precisam de orientação para o que fazer com essa informação, e é esse pensamento que tentamos desenvolver neles", analisa.

Resultados 
O foco dos programas de iniciação científica vai além do vestibular ou do conteúdo programático no currículo. O objetivo é, invariavelmente, desenvolver habilidades que ajudarão os jovens a organizar seus estudos, sua maneira de pensar e de trabalhar, e terão um impacto direto na sua vida acadêmica e profissional. Por isso, é difícil avaliar resultados dessas iniciativas, levando em conta que elas primam pelo desenvolvimento de habilidades que podem ser usadas para a mais ampla gama de atividades, e não pelo simples aumento de proficiência em um assunto.
Exemplo disso é a ex-aluna do Colégio Oswald de Andrade Lívia Gueraldo, 26, hoje analista de recursos humanos sênior de uma grande empresa do ramo televisivo, que escolheu sua profissão de psicóloga por conta da experiência com a monografia obtida no segundo ano do ensino médio. À época, Lívia se aprofundou em psicologia social, mais especificamente na compreensão da mente adolescente, e isso fez com que ela descobrisse diversas possibilidades para a sua vida acadêmica e profissional. "Aquela oportunidade me deu ferramentas para iniciar pesquisas em psicanálise, e me introduziu aos textos básicos da área", relata.
Daniel Guinezi, o aluno da Móbile do começo dessa matéria, não tem dez anos de formado como Lívia para avaliar o impacto da iniciação científica na sua vida, mas já observa que a experiência mudou a forma como ele trabalha. "A partir do momento em que fiz a iniciação, percebi que se existe um prazo, temos de nos programar com antecedência senão tudo se embola. Eu até conseguia fazer os trabalhos da escola na véspera, mas a partir da pesquisa percebi que um trabalho dessa magnitude a gente não consegue planejar na véspera. Essa parte da organização da rotina foi o principal ganho para mim", descreve.
Maria da Glória, da Móbile, afirma que um ganho do projeto para os alunos está em aprender a levantar problemas e a buscar caminhos possíveis para a solução. "Para essa busca precisam conceber estratégias, planejar, produzir, e por fim acabam resolvendo esses problemas", diz. Além disso, dentro da própria escola, nas outras disciplinas, a professora observa que os jovens adquirem certo tipo de abstração, de capacidade de estabelecer relações entre assuntos e de fazer inferências.
Mercedes, do Ítaca, complementa que já na escola os alunos passam a se preocupar mais na redação de textos, trabalho e provas, "porque percebem que não é só o conteúdo que importa". "Falamos de AM e DM - antes da monografia e depois da monografia - , porque eles ganham status de gente grande e isso faz diferença, porque ficam mais maduros", diz. A experiência certamente traz ganhos práticos para os alunos na escola, mas os reais resultados para a vida podem ser observados depois de cinco a dez anos, afirma Luciana, do Equipe. "É um momento interessante, em que eles vão se dar conta de objetos de identificação, e isso acaba contribuindo para a futura identidade profissional deles. Tem esse benefício de olhar para o mundo e saber estudá-lo."